11/02/2018

Bloco da Vaca comemora 88 anos de tradição no Carnaval de Artur Nogueira

Relembre a história da manifestação cultural que é patrimônio imaterial do Estado de São Paulo

Da redação

O Carnaval de Artur Nogueira, recentemente nomeado de Carnartur, é uma das mais tradicionais e frequentadas festas populares do interior paulista. A folia, que já chegou a atrair mais de 150 mil pessoas em apenas uma edição, espera receber 85 mil foliões nas cinco noites de programação em 2018. E pelo 88º ano consecutivo, o Bloco da Vaca desfilará na avenida.

A tradição de colocar a vaca de brinquedo na rua surgiu em meados do século 20. Famílias tradicionais da cidade, livremente inspiradas nas touradas espanholas, criaram a brincadeira, que rapidamente se popularizou na localidade. A data exata da origem ainda é debatida, mas o primeiro registro fotográfico é de 1930. Por isso, resolveu se oficializar a idade do Bloco da Vaca com base nisso.

A ideia de colocar os rapazes para se vestir de mulher é muito antiga também, mas a ideia de as mulheres se vestirem de homem nem tanto. Isso porque até os anos 1980 apenas homens participavam do bloco. Mulheres e crianças só assistiam, sem se envolver na brincadeira. Isso mudou há cerca de 30 anos – e, no caso das crianças, elas ganharam uma versão para elas do bloco, os Filhos da Vaca.

Em seus primórdios, o Bloco da Vaca não tinha esse nome. Ele começou como “Banda do Boi”. A brincadeira era organizada pelas próprias famílias de Artur Nogueira, que se encarregavam de confeccionar a vaca e conduzi-la pelas ruas da cidade, correndo atrás dos foliões. Com o passar dos anos, o nome mudou e a proporção da folia aumentou. A responsabilidade de preparar a vaca para a festa ficou a cargo de outras pessoas.

Hoje, um grupo de voluntários trabalha na confecção da vaca. Entre eles, Eduardo Pietrobom (Duda), Geraldo Townsend (Lelo), Anderson Luís Lopes (Ninão), Euclides de Sá, Levi Fernando de Melo, David Alan Martins e André Luís Cardona (Gordico). O processo de criar o animal dura mais de um mês e meio, e inclui ir à mata para pegar cipó, conseguir crânios verdadeiros de vaca, montar a estrutura, revestir com espuma e pano, pintar e deixar perfeita para a festa em que ela é a atração principal.

Em todos esses 88 anos de tradição, a festa passou por algumas mudanças em seu formato. Se antes as pessoas corriam da vaca para que ela não as acertasse, hoje é comum ver foliões pulando na vaca ou mexendo com ela. Apesar de divertida, a brincadeira dificulta a vida de quem está debaixo da fantasia, que pesa cerca de 30 quilos.

Duda, um dos organizadores do bloco, recomenda que os foliões evitem mexer com a vaca durante a festa. “Você viu como é que é? E você já viu o que o povo faz com ela na rua? Antigamente não era assim”, afirma. “Quem estava na calçada eles não pegavam, mas se estava na rua a turma pegava. Hoje, o que a gente gostaria era que deixassem a vaca evoluir. Não ficassem só empurrando. Porque um entra embaixo da vaca, outro quer empurrar, outro puxar o rabo, outro passar rasteira”, comenta.

Ele também conta um dos episódios mais interessantes envolvendo a vaca: o dia em que ela quebrou a câmera de um cinegrafista da Rede Globo. “Isso foi na primeira vez que a Globo veio”, começa. “A emissora chegou e não avisou ninguém. Já tinha gente embaixo da vaca e o cinegrafista começou a filmar. E daí o cara que estava debaixo da vaca começou a fazer graça e o cara gostou, nisso a vaca foi pra cima e derrubou ele!”, conta rindo.

“Quebrou a câmera! E aí foram embora. O cara da vaca achou que era uma fantasia, que a câmera era de brinquedo. A gente falou depois que ele [cinegrafista] tinha que ter avisado”, relembra.

Em 2015, toda essa tradição recebeu um grande reconhecimento. O Bloco da Vaca foi registrado como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de São Paulo. Antes disso, em 2012, o bloco já havia sido reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial de Artur Nogueira.

Patrimônio Cultural Imaterial são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas transmitidos de geração em geração e constantemente recriados pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história. Elas geram um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.

 

Novidade

Em 2018, o Bloco da Vaca preparou uma novidade. Das cinco vacas confeccionadas (quatro grandes e uma pequena), duas das maiores têm pinturas com temas de desenho animados.

Uma delas possui apenas um chifre e foi pintada como o vilão “Vingador”, do desenho Caverna do Dragão. Já a vaca mocha (sem chifre), novidade desta edição do Carnartur, foi pintada como o vilão “Mumm-Ra”, do desenho animado ThunderCats. As outras duas versões grandes foram pintadas da maneira convencional, assim como a vaquinha dos Filhos da Vaca.

O Carnartur 2018 termina na terça-feira (13) e deve reunir 85 mil foliões na cidade, segundo a Prefeitura.

Fotos de Arquivo: Geso Franco de Oliveira (Casa da Memória)

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